3 de dezembro de 2011

Outono


Alheia à continuidade das manhãs
fixo um encontro comigo
para a hora em que a terra se deixa amar sem cólera.
Tudo converge no sombreado das árvores
chorando as folhas.
Sento-me na esplanada dos prodígios
e abro um bloco pautado
para fixar a voz daqueles que ninguém ouve.
Ao mesmo tempo, apanho do chão
as memórias desta cidade
onde todos os sinais de vida
se conjugam com o verbo esperar
e todos os odores são uma mistura de fumo,
de fadiga, de suor e de solidão.
Tudo se passa, simultaneamente,
como uma despedida e um reencontro.

Graça Pires

2 comentários:

  1. Olá Ju !
    Novo Blog ? ... :)))
    Será que é só poeta quem escreve ? ... Não será também poeta quem "sente" ? ...

    Beijinho
    .

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  2. Rui

    Poeta é quem escreve. Eu vou-me contentando em ler e publicar. Mas que gosto, gosto!...

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