16 de janeiro de 2012

Chove. Há Silêncio


Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

(Fernando Pessoa)

2 comentários:

  1. Cara confrade Ju!
    Ainda continuo fascinado com esta fantástica tecnologia cibernética que nos permite contatos e aprendizagens inimagináveis antes do seu advento!!!! Que grande satisfação em conhecê-la!!!!! É impossível não se emocionar com os poemas que você nos brinda!!! Muitíssimo obrigado!!!!!
    Que a deusa da Justiça e da Sabedoria a tenha como pupila sempre!!!!
    A seguir transcrevo o comentário que deixei no livro de bordo do vagão do Expresso do Oriente sob meu comando:

    "Cara confrade Ju!
    Sinto-me honrado em saber que tão ilustre passageira, do reino distante além-mar, embarcou neste vagão do Expresso do Oriente!!!! É evidente que seu embarque além de permitido tem tratamento VIP!!!! A cabine nº 6 está a sua disposição e solicite sem titubear os préstimos do meu mordomo, o Max!!!!
    Não deixe de visitar a cabine nº 5 onde a lambisgoia da Agrado terá muita satisfação de recebê-la e contar-lhe fatos do arco-da-velha, principalmente do tempo que "ela" era caminhoneiro em Salamanca!!!!!!!!!!
    Caloroso abraço! Saudações agradecidas!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Diadema-SP"

    ResponderEliminar
  2. Por aqui vou conhecendo alguns poemas que desconhecia, até do grande Fernando Pessoa... :)

    Beijocas, Ju!

    ResponderEliminar