3 de janeiro de 2012

A Flor do Sonho



A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim! ...
Milagre ... fantasia ... ou, talvez, sina ...

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?! ...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minha’alma
E nunca, nunca mais eu me entendi ...

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

4 comentários:

  1. Não há Sonetos como os da Florbela Espanca !
    Que perfeição ! ... A métrica, a rima, a sonoridade, o conteúdo ou mensagem, tudo é perfeito !
    .

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  2. Este soneto adivinha-se logo ser da Florbela... :)

    Beijocas!

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  3. É sempre muito agradável reler Florbela Espanca.
    A rosa acetinada combina às mil maravilhas!

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  4. Linda poesia! Amo as poesias de Florbela!

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