8 de janeiro de 2012

Mentiras



Tu julgas que eu não sei que tu me mentes
Quando o teu doce olhar pousa no meu?
Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?
Qual a imagem que alberga o peito meu?

Ai, se o sei, meu amor! Eu bem distingo
O bom sonho da feroz realidade...
Não palpita d´amor, um coração
Que anda vogando em ondas de saudade!

Embora mintas bem, não te acredito;
Perpassa nos teus olhos desleais
O gelo do teu peito de granito...

Mas finjo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!

Florbela Espanca

1 comentário:

  1. Ora vejam lá se é ou não a maior “sonetista” de sempre !!!

    Florbela Espanca diz :

    Mas finjo-me enganada, meu encanto,
    Que um engano feliz vale bem mais
    Que um desengano que nos custa tanto!

    Dizia Júlio Dantas : “Ai quem me dera uma feliz mentira, Que fosse uma verdade para mim !”

    Nós idealizamos o que o que gostaríamos que o outro fosse para nós, mesmo que sintamos que isso não corresponda à verdade.
    Preferimos ser enganados do que encarar uma realidade que não queremos.

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