20 de janeiro de 2012

O Meu Alentejo


Meio-dia. O sol a prumo cai ardente,
Dourando tudo…ondeiam nos trigais
D´ouro fulvo, de leve…docemente…
As papoulas sangrentas, sensuais…


Andam asas no ar; e raparigas,
Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o ouro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros…


Tudo é tranqüilo, e casto, e sonhador…
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: onde há pintor,


Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!


(Florbela Espanca)



4 comentários:

  1. Infelizmente, nos dias que correm, o pintor parece ter largado os pincéis e pegado num trinxa, pois as suas obras estão cada vez piores.

    Beijoca!

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    1. O pintor continua perfeito. O Alentejo está lindo!
      Adorei a visita!

      Beijo

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  2. Obrigada pela divulgação da poesia e da cultura portuguesas.
    Gosto muito de Florbela Espanca, alentejana de nascimento e que viveu e morreu em Matosinhos, a minha terra.
    Um abraço.

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    1. Também gosto imenso da poesia de Florbela. Quanto a Matosinhos devo dizer que aí residem os meus maiores amores, ou seja, filhas e netos. A mais velha também professora. Leciona matemática aí na EB 2 3.

      Beijinho

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