11 de janeiro de 2012

Rústica

 Pintura de Claude Monet

Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.

Florbela Espanca

6 comentários:

  1. Este sei-o de cor há muitos anos. Belo trabalho de divulgação da poesia portuguesa.Parabéns!
    Um abraço.

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    1. Obrigada. Faço-o por prazer.
      Beijo

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  2. A beleza da imagem e o talento de Florbela num magnifico post!...

    Beijos,
    AL

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    1. Obrigada pela visita. Volte sempre.

      Beijo

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  3. Foi a mais extraordinária das poetas portuguesas! Como tenho dito não há "sonetista" como esta mulher, mas estou convencido que só pode ser bom poeta quem sofre e ninguém sofreu como ela e com muitas razões para isso !

    Vejamos (cronologicamente) :

    Filha de pai incógnito
    Escreve “A Vida e a Morte” aos 7 anos (note-se o nome)
    Aos 13 anos 1ºs sinais da doença (neurose)
    Sem mãe aos 14 anos (morre com a mesma doença que a "mataria" a ela)
    Dificuldades económicas aos 20
    2 abortos espontâneos
    Aos 25 acentua-se a doença
    “Livro de Mágoas” (note-se o nome)
    Vários (muitos) casamentos e divórcios
    O resto da família não lhe fala durante 2 anos
    Aos 31 falecimento do irmão
    Mulher triste e desiludida nessa idade
    “As Máscaras do Destino” (note-se o nome)
    Tenta o suicídio aos 35
    Aos 36 “Diário do Último Ano” (note-se o nome)
    Segunda tentativa de suicídio aos 36
    A neurose torna-se insuportável e é diagnosticado um edema pulmonar.
    A 8 de Dezembro, dia do nascimento e do primeiro casamento, Flor Bela Lobo suicida-se, com dois frascos de Veronal.
    .

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    1. Tenho precisamente a mesma opinião. A Florbela foi o máximo! Porque será que os poetas são, quase sempre, infelizes!? Ainda bem que eu, como digo acima não sou poeta. Mas, podes crer, que tenho imenso prazer em publicar poesia, escolher a foto, etc.. Os afazeres da vida não me proporcionaram descobrir mais cedo o prazer de apreciar poesia, mas, mais vale tarde que nunca...

      Beijo

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