27 de maio de 2012

Junquilhos



Nessa tarde mimosa de saudade
Em que eu te vi partir, ó meu amor,
Levaste-me a minh'alma apaixonada
Nas folhas perfumadas duma flor.

E como a alma, dessa florzita,
Que é minha, por ti palpita amante!
Oh alma doce, pequenina e branca,
Conserva o teu perfume estonteante!

Quando fores velha, emurchecida e triste,
Recorda ao meu amor, com teu perfume
A paixão que deixou e qu'inda existe...

Ai, dize-lhe que se lembre dessa tarde,
Que venha aquecer-se ao brando lume
Dos meus olhos que morrem de saudade!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

2 comentários:

  1. Mais um soneto lindíssimo da grande Florbela Espanca !
    .

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  2. Sempre que leio um novo soneto de Florbela compreendo porque os Brasileiros amam mais os nossos poetas do que nós.

    Eles leem, compreendem e recomendam a todo o mundo.

    Sem eles não ligaria a Fernando Pessoa que agora aprecio de verdade.

    Tem um bom FdS

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