23 de outubro de 2012

INCONSTÂNCIA



Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer…
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando…

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também… nem eu sei quando…

(Florbela Espanca)

1 comentário:

  1. Não me canso de ler Florbela Espanca !
    Este é "um" dos seus mais belos sonetos, na minha opinião ! :))
    .

    ResponderEliminar