21 de novembro de 2012

Crepúsculo


Teus olhos, borboletas de oiro, ardentes
Batendo as asas leves, irisadas,
Poisam nos meus, suaves e cansadas
Como em dois lírios roxos e dolentes...

E os lírios fecham... Meu Amor, não sentes?
Minha boca tem rosas desmaiadas,
E as minhas pobres mãos são maceradas
Como vagas saudades de doentes...

O Silêncio abre as mãos... entorna rosas...
Andam no ar carícias vaporosas
Como pálidas sedas, arrastando...

E a tua boca rubra ao pé da minha
É na suavidade da tardinha
Um coração ardente palpitando...

(Florbela Espanca) 

1 comentário:


  1. Ah... Florbela!
    O estilo dos seus sonetos é inconfundível.
    Até a interligação entre os seus poemas é notável.
    É precisamente o "crepúsculo" a hora dos mágicos cansaços, quando a noite de manso se avizinha.


    Beijinhos ao início da noite
    (^^)

    ResponderEliminar