14 de novembro de 2012

Ironia


De tanto pensar na morte
Mais de cem vezes morri.
De tanto chamar a sorte
A sorte chamou-me a si.

Deu-me frutos duradoiros
A paz, a fortuna, o amor.
As musas vieram pôr
Na minha fronte os seus loiros...

Hoje o meu sonho procura
Com saudade a poesia
Dos tempos em que eu sofria...

— Que triste coisa a ventura!   

(Pedro Homem de Melo)

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