22 de novembro de 2012

No entardecer da terra


No entardecer da terra,
O sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.


Soergue as folhas, e pousa
As folhas volve e revolve
Esvai-se ainda outra vez.
Mas a folha não repousa
E o vento lívido volve
E expira na lividez.


Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E mesmo o que hoje sou
Amanhã direi: quem dera
Volver a sê-lo! mais frio.
O vento vago voltou.

(Fernando Pessoa)

3 comentários:


  1. Felizmente há sempre a Primavera que tudo faz renascer... até a esperança.


    Beijinhos soprados ao vento
    (^^)

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  2. Bonito poema, evidentemente.
    Abraço : )

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  3. Excelente escolha amiga!
    Conheço e gosto imenso deste poema.
    Resto de bom fim de semana.

    Beijinho e uma flor

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