11 de novembro de 2012

Santo e Senha


Deixem passar quem vai na sua estrada.
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada
Deixem, que vai apenas
Beber água de sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.
Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer.
Deixem-no pois passar, agora
Que vai cheio de noite e solidão
Que vai ser uma estrela no chão.


(Miguel Torga)

1 comentário:

  1. Olá boa noite!
    Como gosto de ler e reler Miguel Torga! Um dos nossos grandes poetas! Obrigada pela partilha e divulgação do que há de melhor na literatura portuguesa. Beijos.
    M. Emília

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