1 de agosto de 2013

Vieste Tarde



Vieste tarde, meu amor! Começa
Em mim caindo a neve devagar,
Morre o sol, o Outono cai depressa,
E o Inverno, finalmente, há-de chegar.

E se hoje andamos juntos, na promessa
De caminharmos toda a vida a par,
Daqui a pouco o teu amor tem pressa
E o meu, daqui a pouco, há-de cansar.

Dentro em breve, por trás das velhas portas,
Dando um ao outro só palavras mortas,
Que rolam mudas pelas nossas vidas,

Ouviremos, nas noites desoladas,
- Tu a canção das vozes desejadas,
Eu, o chorar das vozes esquecidas!


(Joaquim Nunes Claro)

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