18 de outubro de 2013

PASSEIO NO CAMPO



 Meu amor! Meu amante! Meu amigo!
Colhe a hora que passa, hora divina,
Bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo!
Sinto-me alegre e forte! Sou menina!

Eu tenho, amor, a cinta esbelta e fina...
Pele dourada de alabastro antigo...
Frágeis mãos de madona florentina...
- Vamos correr e rir por entre o trigo!

Há rendas de gramíneas pelos montes...
Papoulas rubras nos trigais maduros...
Água azulada a cintilar nas fontes...

E à volta, amor... tornemos, nas alfombras
Dos caminhos selvagens e escuros,
Num astro só as nossas duas sombras...



(Florbela Espanca)

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