8 de outubro de 2014

CHUVA




A chuva entorna na paisagem calma
uma indolência de abandono e sono.
Paisagem triste como a de minha alma...
A chuva é um longo sono de abandono...



Olho através do espelho da vidraça:
dorme o jardim sob os soluços d'água...
Na rua, alguém cantarolando passa,
cantarolando a minha própria mágoa.



Quem será esse vulto que se apossa
da fina dor que em minha vida existe,
para cantá-la assim, num ar de troca,
de uma maneira que me põe mais triste?



E olho através do espelho da vidraça:
dorme o jardim sob os soluços d'água.
Na rua adormecida, ninguém passa...
A chuva canta a minha própria mágoa.

(Onestaldo de Pennafort)

1 comentário:

  1. Anónimo10/11/2014

    'Um dia de chuva é tão bom como um dia de sol. Amboa existem, e cada um é como é.', escreveu Pessoa na pele de Alberto Caeiro.
    Será, afinal, uma questão de perspectiva...
    (gostei da fotografia; não é fácil fotografar a -e com- chuva.)

    jorgesteves

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