10 de dezembro de 2014

"Em louvor ao fogo"



Um dia chega 
de uma extrema doçura: 
tudo arde. 
Arde a luz 
nos vidros da ternura. 
As aves, 
no branco 
labirinto da cal. 
As palavras ardem 
e a púrpura das naves. 
O vento, 
onde tenho casa 
à beira do outono. 
O limoeiro, as colinas. 
Tudo arde 
Na extrema e lenta 
doçura da tarde. 


(Eugénio de Andrade)

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