20 de janeiro de 2015

Solidão





Ó solidão! À noite, quando, estranho, 
Vagueio sem destino, pelas ruas, 
O mar todo é de pedra... E continuas. 
Todo o vento é poeira... E continuas. 
A Lua, fria, pesa... E continuas. 
Uma hora passa e outra... E continuas. 
Nas minhas mãos vazias continuas, 
No meu sexo indomável continuas, 
Na minha branca insônia continuas, 
Paro como quem foge. E continuas. 
Chamo por toda a gente. E continuas. 
Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas. 
Invento um verso... E rasgo-o. E continuas. 
Eterna, continuas... Mas sei por fim que sou do teu tamanho!


(Pedro Homem de Mello)

2 comentários:

  1. Eterna e enorme a solidão, para alguns, mas a nem todos vence !
    Eterno e enorme também este Homem (de Mello), que eu tive o prazer e a honra de conhecer pessoalmente !

    :))

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