21 de março de 2015

De um Amor Morto




De um amor morto fica 
Um pesado tempo quotidiano 
Onde os gestos se esbarram 
Ao longo do ano 


De um amor morto não fica 
Nenhuma memória 
O passado se rende 
O presente o devora 
E os navios do tempo 
Agudos e lentos 
O levam embora 


Pois um amor morto não deixa 
Em nós seu retrato 
De infinita demora 
É apenas um facto 
Que a eternidade ignora 


(Sophia de Mello Breyner)

1 comentário:

  1. Desta vez discordo de Sophia. Porque o amor não morre.
    Beijinho a norte.

    ResponderEliminar