25 de julho de 2015

AS ROSAS




Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;

Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.

Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio úmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afeto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então? – Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do inverno ou mão indiferente.

Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, não... Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.


(Machado de Assis)

3 comentários:

  1. As rosas simbolizam ternura.
    No entanto, 'não há bela sem senão'.

    Felicidades
    MANUEL

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  2. Uma boa escolha poética.
    Gostei de ler, pois acho que ainda não tinha lido este poema.
    Ju, tenha um bom fim de semana.
    Beijinhos.

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  3. São rosas, senhora.
    Beijinhos

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