20 de agosto de 2015

Os rios


Magoados, ao crepúsculo dormente,
Ora em rebojos galopantes, ora
Em desmaios de pena e de demora,
Rios, chorais amarguradamente,

Desejais regressar... Mas, leito em fora,
Correis... E misturais pela corrente
Um desejo e uma angústia, entre a nascente
De onde vindes, e a foz que vos devora.

Sofreis da pressa, e, a um tempo, da lembrança...
Pois no vosso clamor, que a sombra invade,
No vosso pranto, que no mar se lança,

Rios tristes! agita-se a ansiedade
De todos os que vivem de esperança,
De todos os que morrem de saudade...

(Olavo Bilac)

2 comentários:

  1. Profundo! E uma bonita imagem!

    Beijinho Juju.
    Adélia

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    1. Beijinho também para ti, amiga! Nem sei como ainda me "passas cartão"!!! Tenho andado tão afastada do meu blog, dos blogues dos amigos, do facebook, etc. Pode ser que com o aproximar do inverno tudo volte ao normal. Mais um beijinho.

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