4 de novembro de 2015

FRAGMENTO




“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs,
ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o
cinza dos dias, bem assim: que seja doce.
Quando há sol, e esse sol bate na minha cara
amassada do sono ou da insônia, contemplando
as partículas de poeira soltas no ar, feito um
pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte:
que seja doce que seja doce que seja doce e
assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse
o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.
Tudo é tão vago como se fosse nada.”



(Caio Fernando Abreu)

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