7 de abril de 2016

INDIFERENÇA




Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado
passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto,
pudéssemos varrer nosso passado.

Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo.
Como se nunca me tivesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado

Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
se quando passo, teu olhar me alcança
se meus olhos te alcançam quando vais.

Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança. 
Daqueles tempos que não voltam mais!

(Guilherme de Almeida)

4 comentários:

  1. Inspirada por Mário Quintana !?... :)
    Nunca tinha lido nada dele ! Sabes que para mim, o soneto é a forma de expressão poético mais agradável de ler ? ... Nele, em si mesmo, como que se sente a poesia, independentemente do conteúdo e do tema !
    :)

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  2. Provavelmente, por mais anos que viva nunca saberei lidar bem com o passado e com as lembranças dos tempos (e das pessoas) que não voltam mais. Talvez porque não saiba dizer adeus...

    Mas no próximo domingo não te vou dizer Adeus... vou dizer-te OLÁ!!! E vou dar-te um enorme abraço! :))

    Beijinhos e até lá!
    (^^)

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  3. Não sei lidar com o passado, não com aquele que me arrancou ferozmente quem amava e com ele o meu sorriso!

    Um beijinho muito grande Ju e um forte abraço que gostaria de te dar amanhã, mas infelizmente as coisas não são como desejamos.

    Adélia

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  4. Muito bonito!! O amor é eterno...

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