8 de maio de 2016

A casa do tempo perdido




Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.

A casa do tempo perdido está coberta de hera
Pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
Pela dor de chamar e não ser escutado.

Simplesmente bater. O eco devolve
Minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
No bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.

(Carlos Drummond de Andrade)

1 comentário:

  1. Muito bem escolhida essa casa mal assombrada, esse casarão vazio e condenado, precisamente de acordo com o poema de Drummond ! :)

    Beijinhos, JU ! :)

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