1 de maio de 2016

MÃE


Mãe:
 
Que desgraça na vida aconteceu, 
Que ficaste insensível e gelada? 
Que todo o teu perfil se endureceu 
Numa linha severa e desenhada? 

Como as estátuas, que são gente nossa 
Cansada de palavras e ternura, 
Assim tu me pareces no teu leito. 
Presença cinzelada em pedra dura, 
Que não tem coração dentro do peito. 

Chamo aos gritos por ti — não me respondes. 
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio. 
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes 
Por detrás do terror deste vazio. 

Mãe: 
Abre os olhos ao menos, diz que sim! 
Diz que me vês ainda, que me queres. 
Que és a eterna mulher entre as mulheres. 
Que nem a morte te afastou de mim! 

(Miguel Torga)

3 comentários:

  1. Excelente escolha para homenagear este dia.

    Beijinho Ju

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  2. :((( ... Porque morrem as mães ? ... :(((
    Não deviam ! ... Não deviam morrer nunca !!!

    Beijinhos, MÃE JU ! :)

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  3. Excelente Miguel Torga e uma belíssima poesia para o Dia da Mãe !

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