21 de agosto de 2016

AMO-TE SEM SABER COMO



Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio 
ou seta de cravos que propagam o fogo: 
amo-te como se amam certas coisas obscuras, 
secretamente, entre a sombra e a alma. 

Amo-te como a planta que não floriu e tem 
dentro de si, escondida, a luz das flores, 
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo 
o denso aroma que subiu da terra. 

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, 
amo-te directamente sem problemas nem orgulho: 
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira, 

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és, 
tão perto que a tua mão no meu peito é minha, 
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono. 

(Pablo Neruda)

5 comentários:


  1. Adoro Neruda... sempre tão cuidadoso e subtil com as palavras, sempre tão amoroso.
    Vou à etiqueta do seu nome recordar os outros poemas que tens aqui dele.

    Beijinhos amiga
    (ainda te consigo ver de cá de baixo... e de binóculos!)
    (^^)

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  2. Uma escolha perfeita!

    Bom fim de semana querida Ju.

    Um beijinho

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  3. Olá Ju
    Vim aqui ter porque a minha amiga Afrodite me aconselhou. Em boa hora o fiz, já que adoro poesia e estes dois do Pablo Neruda fascinam-me.
    Parabéns!

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  4. Gosto muito de ler poemas,o amor é lindo por demais!! Viva o amor verdadeiro!! Tudo de bom para ti,fica bem!!

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