7 de dezembro de 2016

ESCUTO




Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou Deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco

(Sophia de Mello Breyner)

1 comentário:

  1. Curioso o escutar o silêncio, nosso já velho conhecido !
    Agora a associação a Deus, é que é nova para mim ! ... Neste poema, mais evidente na 3ª estrofe, embora já suspeita em parte da 2ª !

    Uma incógnita que em nós morará eternamente !

    Sophia de Mello Breyner tem esse dom de escrita, de nos deixar a pensar !

    Beijo,... já com saudades, Ju ! :)

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