27 de janeiro de 2018

NA LUZ A PRUMO




Se as mãos pudessem (as tuas, 
as minhas) rasgar o nevoeiro, 
entrar na luz a prumo. 
Se a voz viesse. Não uma qualquer: 
a tua, e na manhã voasse. 
E de júbilo cantasse. 
Com as tuas mãos, e as minhas, 
pudesse entrar no azul, qualquer 
azul: o do mar, 
o do céu, o da rasteirinha canção 
de água corrente. E com elas subisse. 
(A ave, as mãos, a voz.) 
E fossem chama. Quase.

(Eugénio de Andrade)

2 comentários:

  1. Gostava de ser poeta para poder falar das mãos ! ...
    Das minhas, das dos outros,... quanto elas nos dizem de uma pessoa, quanto elas representam numa relação, quanto haveria a dizer sobre elas, mas,... não sou poeta e não sei ! :(

    Beijinhos, Ju !
    (Temos-te visto tão pouco pela blogosfera ! :( ... )

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    1. Também eu, Rui! Das mãos e não só!... Como não somos poetas vamos-nos deleitando com os poemas dos outros.

      Vou tentar estar mais presente na blogosfera.
      Beijinho

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