9 de março de 2018

Soneto de separação



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


(Vinícius de Moraes)

2 comentários:

  1. Passando a fim de conferir uma excelente publicação.
    Um poema sublime. Lindíssimo.
    .
    *Mulher; Flores e Borboletas, em sintonia poética (Poetizando) *
    .
    Votos de um dia feliz.

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  2. Boa noite, Ju. Infelizmente, um soneto extremamente verdadeiro.
    Lamento demais qualquer fim.
    Linda escolha.
    Beijos na alma.

    Redescobrindo a alma.blogspot

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